Tenho uma relação indisciplinada com o meu choro.
Não sei quem é mais indisciplinado: eu ou ele.
Mas nem sempre foi assim. Dantes, tinha controlo sobre isso. Não quero dizer que só chorava quando queria. Não, isso nunca consegui fazer. Mas sabia que, se dissesse isto ou aquilo, ia chorar. E então, podia optar.
Hoje, não. E é chato.
Particularmente chato, quando se está na consulta de oftalmologia e finalmente se dá com um médico com tomates para dizer "Se calhar, está na altura de pensarmos em tirar o olho". E nós, claro, mantemos aquilo que eu chamo "posição de soldado". Com a maior frieza, começamos a debitar termos como "neuropatia" e Traztuzomab", para o médico ver que até somos filhas informadas e muito envolvidas no processo todo. "Não é uma cirurgia simples, mas faz-se. Depois, põe-se uma prótese e fica impecável."
E é aí que, do alto da mais perfeita "posição de soldado", fazemos friamente a pergunta "E consegue-se acertar com a cor? É que ela tem uns olhos tão bonitos..."
E, pimba!
Mas que grande merda, não estava nada à espera disto.
Ninguém me avisou que se perguntasse isto, ia começar a chorar.
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